quarta-feira, 21 de março de 2012

Frágil vida


Hoje eu ouvi:

- A vida é tão frágil né?

E logo respondi:

- Por isso temos que nos empenhar em nossa felicidade!

Engraçado como esse breve diálogo pôs-se a tilintar na minha cabeça como um badalo tocando o velho sino que avisa a hora do trem partir!

O som do sino ecoa por toda a velha estação e avisa às dezenas de passageiros para logo embarcar ou não chegarão ao seu destino. Assim também o tilintar dentro de minha cabeça ecoou, mas a diferença era que eu era o único passageiro, único vagão, casa de máquinas, era também o maquinista...

Mais difícil? Talvez sim, talvez não, mesmo sendo apenas eu, este trem pode ser mais longo e pesado que uma locomotiva que desce a serra de santos até o porto carregando grãos, ou pode ser menor e mais rápida que um carro.

O que determina o peso e a velocidade com que nós embarcamos no trem de nossa vida e em qual velocidade ele anda, é a nossa coragem de encarar!

Afinal quão frágil pode ser a vida? Que nem mesmo sair dos muros do meu umbigo eu tenho coragem?

Acho que o “legal” é levar o trem para fora dos trilhos e nele voar, para alcançar maior velocidade, ir mais além.

Quão frágil é a vida que moralmente me impõe regras me obrigando a andar no caminho certo?

Mas é certo não tentar? É errado ousar?

Talvez o velho sino seja um alerta para uma variável, invariável chamada tempo, enquanto nosso trem está “ancorado” na estação, ele passa com a velocidade de um cometa e quando percebermos pode ser tarde demais para chegar até a lua com nosso trem.

E aí viveremos a ilusão de imaginar como seria se eu estivesse lá, como seria se tivesse ido, ou feito, ou falado ou vivido...

Se for para errar eu prefiro ao menos tentar,

Quão frágil é a vida?

Como sabiamente Elis e Tom Jobim cantavam: “... a gente mal nasce e começa a morrer...”.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

FAXINA


Esses dias eu estava entrando no meu quarto e não estava me sentindo muito bem, estranho isso né? Normalmente seu quarto é seu ninho, seu porto seguro, o lugar em que você se sente melhor.

Mas daí tentei identificar o que é que estava me incomodando dentro do meu quarto, olhei para um lado, olhei para o outro e comecei a perceber que existiam coisas no meu quarto que não eram do meu quarto, sabe?

Umas cadeiras, um chinelo, um pano de chão, coisas que eu havia deixado lá e que pensei que nunca iam me atrapalhar... Só que inconscientemente elas estavam me atrapalhando e me deixando mal, sabe aquela sensação de estar tudo errado e você não sabe o que é?

Foi então que num domingo quente e cheio de sol, eu resolvi sem planejar, afastar da minha frente algumas coisas, tirei aquela cadeira de dentro do quarto, guardei chinelo, tirei o pano de chão... De repente comecei a organizar meus livros, meus discos, toda uma papelada antiga.

E aos poucos aquela sensação ruim foi se transformando em leveza de espirito, parecia que eu estava me libertando de algo que me prendia a melhorar como pessoa, a ser um ser humano melhor.

Comecei a refletir e imaginei como trazer isso para a vida, para o dia a dia, fazer uma limpeza na consciência, nos atos impróprios (isso é muito relativo, eu sei), colocar sua felicidade e seu bem estar como prioridade, isso tudo pode ser uma excelente faxina.

O grande problema é que a gente não tem coragem para sair do nosso comodismo, arregaçar as mangas e trabalhar nessa faxina, tirar as pedras que nos impedem de sermos felizes...

Bom... Não sei quanto à vida, mas quanto ao meu quarto já dei uma “ajeitadinha” e apenas isso já me deixou melhor, então fica a dica, comece limpando seu quarto!